Durante o evento, a Famurs divulgou uma carta aberta ao Governo Federal solicitando ações emergenciais e estruturais para enfrentar o elevado endividamento do setor agropecuário. A iniciativa contou com o apoio de entidades como Farsul, Fetag-RS e Fecoagro. Um dos principais pontos do documento é a securitização das dívidas dos produtores, com proposta de alongamento dos débitos por 20 a 25 anos e aplicação de juros limitados a 3%. Também foi sugerida a criação de um fundo garantidor para operações de crédito rural, linhas de financiamento com juros subsidiados, investimentos em infraestrutura de irrigação e armazenamento, e medidas para facilitar a importação de insumos.
Além da carta, foi apresentado um Relatório Executivo da Mobilização, elaborado com o auxílio de inteligência artificial. O documento servirá de subsídio técnico para os gestores municipais, reunindo os principais temas debatidos, dados atualizados sobre os prejuízos no campo e estratégias sugeridas para enfrentamento da crise no setor primário.
Segundo a Famurs, mais de 200 mil propriedades rurais foram diretamente atingidas pelas enchentes de 2024, com prejuízos estimados em R$ 4,1 bilhões apenas na agricultura. Desde 2020, o setor acumula perdas que ultrapassam R$ 92 bilhões. Ainda conforme dados da área técnica da entidade, a União reconheceu 2.895 decretos municipais de situação de emergência ou calamidade pública no Rio Grande do Sul desde 2020 — um reflexo da gravidade e da persistência da crise climática no estado.
O prefeito Ricardo Froemming destacou a importância da mobilização e parabenizou a Famurs e todos os envolvidos pela organização e participação massiva. “Precisamos nos mobilizar e defender esta causa sim, porque entendemos o sofrimento de todos os produtores que querem pagar suas dívidas, mas não conseguem por conta do grande acúmulo dos últimos cinco anos de prejuízos devidos ao clima. É hora do Governo Federal socorrer este setor que mantém o alimento na mesa dos brasileiros e é responsável por grande parte do PIB do nosso país”, afirmou o prefeito.
O auditório e o estacionamento da sede da Famurs ficaram lotados durante o ato, simbolizando a união dos municípios em torno da pauta rural e reforçando a urgência de medidas concretas para preservar a atividade agrícola no Estado.
Entenda o caso
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