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terça-feira, 09 de junho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital

Maria vai com as outras?!

As comunidades católicas celebram, no próximo domingo, a solenidade da Imaculada Concepção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Houve tempo em que a simples invocação do nome de Maria soava como insulto ou blasfêmia aos ouvidos dos irmãos protestantes. Hoje não é mais bem assim, mas a pergunta é pertinente: é possível refletir sobre Maria, a Mãe […]

Martin Lutero, o fundador do movimento protestante, escreveu um belo e profundo tratado sobre o cântico de Maria (cf. Lc 1,46-55).  Na sua reflexão teológica e social, Lutero não hesita em tratar Maria como “doce mãe de Cristo”, “Virgem Maria” e “mãe de Deus”. Para ele, o que há de mais belo e precioso na “Bendita Mãe de Deus” é a humildade, a disponibilidade e a confiança com que Ela se põe à disposição da Vontade de Deus.

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Para Lutero, inspirar-se em Maria significa permitir que Deus atue em nós, colaborar para que sua vontade seja plenamente realizada. Por isso, não basta afirmar que ela não se alegra por sua virgindade, mas por sua humildade. Ela se alegra pela “graciosa observação divina”. O que deve ser destacado em Maria não é sua humildade, mas a atenção com que Deus a trata, a mesma atenção que dá a todos os humildes e humilhados.

Para celebrar esta solenidade, as comunidades cristãs católicas buscam luzes no texto de Lucas (1,26-38). Ali encontramos a inusitada manifestação de Deus a uma mulher da Galileia. É inusitada porque Deus não se dirige a um homem destacado por seu saber ou por sua piedade, e isso não acontece no templo ou da Sinagoga. Não é uma pessoa cumpridora meticulosa das leis e prescrições a escolhida e declarada “cheia de graça”…

A quem gosta de imaginar Maria como uma mulher “recatada e do lar”, pronta a obedecer às ordens daqueles que se consideram o gênero superior, convido a observar como Maria ousa questionar o próprio Mensageiro de Deus. Ela é uma mulher livre e empoderada, que não se cala nem diante de quem fala em nome de Deus. Seu jeito de fazer a vontade de Deus passa pelo questionamento e pela reflexão (cf. Lc 2,19.51).

Nisso, Maria de Nazaré não está sozinha. Ela “vai com as outras”, pois se soma às outras mulheres corajosas do povo hebreu, como as parteiras do Egito, que ousam desobedecer às ordens do Faraó (cf, Ex 1,12-21); a viúva Judite, que enfrenta o general Holofernes (cf. Jd 8-9), a rainha Ester, que pede ao rei vida para seu povo (cf. Est 7,1-4), a mãe dos jovens Macabeus, que os encoraja a desobedecer ao rei Antíoco (cf. 2Mc 7). E como Ana, Isabel, Madalena, Marta, Maria, Lídia e tantas outras mulheres da aurora do cristianismo.

Maria também está com outras mulheres do nosso tempo, como Maria Quitéria, Rosa de Luxemburgo, Edith Stein, Nísia Floresta, Teresa de Calcutá, Indira Gandhi, Dorothy Stang, Zilda Arns. Não quero dizer que ela não passa de uma mulher extraordinária, mas desejo sublinhar que vejo em Maria de Nazaré, traços humanos que outras mulheres, de alguma forma, também expressaram. Ela “vai com as outras”, com muitas outras, que compartilham com ela a bem-aventurada humanidade, talvez a santidade.

Dom Itacir Brassiani msf

Bispo de Santa Cruz do Sul

Entenda o caso

O que aconteceu?Maria vai com as outras?!
Onde?Santa Cruz do Sul
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização09/06/2025 às 08:18

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