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Do luto à luta: a revolução da minha vida

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Memórias

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1º lugar

Do luto à luta: a revolução da minha vida

Aluna Yanna Dorneles Ramos, professora orientadora Alexandra – 6º Ano da Nero

 

Do luto à luta: a revolução da minha vida

Na antiga Vila Melos, minha infância foi marcada por dificuldades e sonhos desfeitos. Cresci em uma casa simples, cheia de amor entre os muros de barro e as risadas dos meus cinco irmãos. Caminhávamos descalços pelos campos, atravessando riachos de água cristalina e gelada, promessas de liberdade que nunca se concretizavam.

Eu e meus irmãos estudávamos na escola do seu Aldo Mello. Ali, aprendemos muito mais do que números e letras. Sem dinheiro para materiais escolares, usávamos sacos de arroz como mochilas, um símbolo da nossa luta. Minha primeira professora, Ana Beatriz, era uma luz na escuridão das dificuldades. Para mim, a educação sempre foi a única saída para um futuro melhor.

Mas a vida se mostrou cruel. Ao chegar à 4ª série, fui forçado a deixar os estudos para ajudar meus pais na roça. A esperança renasceu quando soube que meus primos iam estudar na Vila e pagariam aluguel para ficar na casa do seu Etuino Kappel. A casa ficava perto de onde hoje é o CRAS. Pedi aos meus pais para ir também, mas ao olhar nos olhos cansados do meu pai, Erondino, percebi que meu sonho se despedaçava. “Não temos dinheiro, meu filho”, ele disse com tristeza, e aquelas palavras ecoaram em meu coração como um lamento profundo.

Com 13 anos, comecei a trabalhar nas pedreiras do seu Ari Porto. O caminho era longo, quatro ou cinco quilômetros de poeira e suor, cada passo carregava o peso da responsabilidade em meus ombros. O caminhão que chegava de Rio Pardo era a esperança de dias melhores, mas a realidade estava longe disso.

A doença e a perda do meu pai desfizeram meu mundo em um instante. Diante da dor, eu sabia que precisava ser forte pela minha família. Meu irmão mais velho se dedicava à lavoura, enquanto o outro ainda sonhava com festas e diversão, indiferente às dificuldades que nos cercavam.

Hoje, ao olhar para minha filha, sinto uma mistura de esperança e determinação. Quero que ela tenha as oportunidades que não tive, que seus passos sejam firmes na escola e na vida. Que ela não conheça as dificuldades que marcaram minha infância.

Agradeço a Deus pelos desafios enfrentados, eles me ensinaram a ter força e coragem. Na Vila Melos, aprendi que os sonhos podem ser adiados, mas nunca esquecidos, são sementes plantadas no coração, aguardando o tempo certo para florescer.

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Entenda o caso

O que aconteceu?Do luto à luta: a revolução da minha vida
Onde?Rio Pardo
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

Transparência editorial

Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização09/06/2025 às 08:20

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