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terça-feira, 09 de junho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital

A prosperidade, por si mesma, não engendra a paz

Há poucos dias iniciamos festivamente o ano 2025. Repetimos e ouvimos à exaustão os votos de “feliz e próspero ano novo”, mesmo sabendo que, nas relações que vivemos e na história que fazemos, nada acontece automaticamente, como efeito de uma simples mudança de calendário ou um desejo, por mais ardente que este seja. Mas, como […]

O réveillon da praia de Copacabana, que propagandeamos como o mais belo do mundo, é realmente bonito e envolvente. Mas a beleza dos fogos, os brindes efusivos e as roupas na cor do momento, assim como a impressionante multidão que se reúne, não são suficientes para dinamizar um percurso de paz e assegurar a prosperidade desejada.

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Aliás, o que significa realmente “prosperidade” e “felicidade”? Geralmente, quando dizemos “felicidade” nos referimos a experiências de exclusividade: frequentar lugares, relacionar-se com pessoas e consumir bens inacessíveis à maioria dos mortais comuns. Quanto mais exclusiva for uma experiência, mais prazer e felicidade traria.

E, dentro do conceito de “prosperidade” colocamos em geral pouco mais que sucesso no trabalho, na carreira ou nos negócios. Talvez cheguemos àquele refrão, tão ingênuo quanto apelativo: “Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Isso seria tudo, ou o indispensável? Certamente, este não é o caminho e o conteúdo da felicidade próprios dos cristãos. Onde ficam a qualidade de vida, a vida e a convivência plenas de sentido?

A Organização das Nações Unidas estabelece o primeiro dia do ano como Dia da Fraternidade Universal, ou da paz entre os povos, nações, etnias e religiões. A comunidade católica também é convidada a entrar nesse mutirão. Por isso, embora celebremos o 1º dia do ano como festa de Santa Maria, Mãe de Deus, o Papa sempre nos brinda com uma carta que nos convida ao engajamento pela paz e pela fraternidade universal.

Em 2025, no espírito do Ano Santo, o Papa Francisco nos convida a arregaçar as mangas e enfrentar as situações de injustiça e desigualdade que ferem os pobres e a terra, sem esquecer das estruturas que a mantêm e reproduzem. E sublinha que “os bens da terra não se destinam apenas a alguns privilegiados, mas a todos”. Precisamos abrir os ouvidos ao “desesperado grito de ajuda que se eleva de muitas partes da terra”.

Na referida mensagem, o Papa pede que nos unamos às vozes que denunciam “tantas situações de exploração da terra e de opressão do próximo’, que se enraízam na cultura e contam com uma cumplicidade generalizada. Por isso, com São João Paulo II, as denomina “estruturas de pecado”. A paz que tanto desejamos não vem como milagre, mas depende de nós, da justiça nas relações interpessoais, sociais e internacionais.

Para concluir, faço minhas as palavras do Papa: “Dirijo os meus votos de paz a cada mulher e a cada homem, especialmente àqueles que se sentem prostrados pela sua condição existencial, condenados pelos seus próprios erros, esmagados pelo julgamento dos outros, e já não veem qualquer perspectiva para a sua própria vida. A todos vocês, esperança e paz, porque este é um Ano de Graça, que vem do Redentor”.

+ Itacir Brassiani msf

Bispo de Santa Cruz do Sul

Entenda o caso

O que aconteceu?A prosperidade, por si mesma, não engendra a paz
Onde?Santa Cruz do Sul
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização09/06/2025 às 08:17

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