Roque Eisermann relembra trajetória na educação e na prefeitura e defende reconhecimento em vida

Homenageado em solenidade pelos 30 anos de Vale Verde, ex-prefeito recordou sua chegada a Vila Mellos, os desafios da administração e o trabalho realizado com recursos limitados

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Roque Eisermann relembra trajetória na educação e na prefeitura e defende reconhecimento em vida

Da chegada a Vila Mellos como professor, em 1979, ao trabalho na direção escolar e à responsabilidade de governar Vale Verde, Roque Alvício Eisermann revisitou sua trajetória durante a solenidade de homenagem aos ex-prefeitos e vice-prefeitos do município. Realizado na noite de quarta-feira, 28 de outubro, na Câmara de Vereadores, o encontro integrou as celebrações dos 30 anos de Vale Verde.

Em um pronunciamento marcado por lembranças pessoais, episódios da vida pública e agradecimentos, Roque destacou a importância dos servidores, recordou as dificuldades da estrutura administrativa no início dos anos 2000 e defendeu que as pessoas sejam reconhecidas enquanto podem receber o carinho da comunidade.

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Prefeito de 2001 a 2004, tendo Emir Rosa da Silva como vice, e posteriormente vice-prefeito na primeira gestão de Carlos Gustavo Schuch, de 2017 a 2020, Roque afirmou que não imaginava ocupar esses espaços quando chegou à localidade para trabalhar na educação.

“Quando eu vim para cá, nunca me passou pela cabeça um dia ser prefeito, um dia ser diretor de escola. Tudo foi acontecendo de uma maneira muito natural”, declarou.

Uma caminhada iniciada no magistério

Roque contou que começou a lecionar em 1977 e se tornou servidor público em 9 de agosto de 1979, quando passou a trabalhar em Vila Mellos. Antes disso, havia atuado em outras escolas, cumprindo jornadas em estabelecimentos diferentes pela manhã e à tarde.

Ao recordar sua chegada, dirigiu-se ao prefeito Ricardo Froemming e lembrou que ele ainda era um bebê. A referência aproximou sua história profissional da trajetória de famílias que acompanhou ao longo das décadas.

O ex-prefeito descreveu o início do trabalho em uma pequena sala nos fundos de um prédio de madeira, atendendo crianças com dificuldades de aprendizagem. Também observou como mudaram, desde então, a realidade escolar e a maneira de compreender e tratar essas dificuldades.

A experiência na escola, segundo ele, representou um aprendizado importante para as responsabilidades que assumiria mais tarde.

Roque também relembrou as mobilizações do magistério pela escolha dos diretores. Contou que integrou uma lista tríplice e foi indicado para a direção em 1986. Em outros momentos, participou de eleições para o cargo e acompanhou mudanças nas regras de escolha dos dirigentes escolares.

Ao mencionar um período em que as indicações voltaram a prevalecer, relatou ter recebido pressão para se filiar a um partido. Disse, porém, que apresentou seu currículo e deixou sua permanência na direção a critério da avaliação de seu trabalho, disposto a continuar em sala de aula caso não fosse escolhido.

Da campanha a pé à eleição para prefeito

A primeira experiência eleitoral lembrada por Roque foi a candidatura a vereador de Rio Pardo, em 1982, quando o território do município ainda abrangia uma extensa área. Ele não se elegeu, mas guardou recordações da campanha feita a pé, visitando moradores de casa em casa.

Contou que, ao meio-dia, fazia uma refeição simples em uma venda e depois retomava as visitas. Também disse ter estranhado as disputas entre candidatos que tratavam determinadas comunidades como suas áreas exclusivas de atuação.

Anos depois, já ligado à educação em Vale Verde, passou a receber convites para disputar a prefeitura. Conforme relatou, o movimento ganhou força por volta de 1999 e resultou em sua candidatura na eleição de 2000.

Roque recordou que a disputa teve cinco candidatos e que venceu com uma diferença de 74 votos sobre o segundo colocado. Em janeiro de 2001, assumiu a administração ao lado de Emir Rosa da Silva.

Estrutura limitada e trabalho de organização

Ao falar do mandato, Roque descreveu um município que ainda construía sua estrutura administrativa. A prefeitura funcionava em uma casa adaptada, com setores acomodados conforme os espaços disponíveis.

Segundo ele, uma parte importante do trabalho esteve voltada à organização da administração, em um período no qual procedimentos, equipes e condições de atendimento ainda estavam sendo estruturados.

O ex-prefeito agradeceu aos profissionais que assumiram essa tarefa e destacou que o comprometimento das pessoas foi decisivo para enfrentar as limitações.

Um dos exemplos apresentados foi a manutenção das estradas. Roque lembrou que o parque de máquinas era precário e citou veículos que, apesar das limitações, ajudavam a atender o interior. Entre eles, mencionou um caminhão branco que, segundo seu relato, continuava trabalhando no transporte de lixo, cerca de 26 anos depois.

Recordou ainda que, em 2002, foram destinados aproximadamente R$ 30 mil para contratar serviços e reforçar o trabalho nas estradas. A estrutura utilizada incluía uma retroescavadeira e caminhões com capacidade limitada de transporte de material.

Alguns veículos, contou, não conseguiam vencer determinadas subidas carregados, exigindo que o serviço fosse organizado conforme as condições de cada equipamento. Mesmo assim, destacou intervenções em localidades como Ponteirinho e Lomba Alta.

“Às vezes grandes projetos não precisam de muito dinheiro, precisam de pessoas engajadas”, afirmou, ao defender que dedicação, planejamento e disposição para buscar soluções fazem diferença no serviço público.

Roque recebeu a placa de homenagem do Vice Prefeito Gabriel — Foto: Gazeta Popular

A visita para agradecer a um antigo colaborador

A lembrança das estradas levou Roque a compartilhar uma visita que havia feito, na semana anterior, a Arlindo, que atuou como secretário durante sua administração.

Disse que procurou o antigo colaborador para reconhecer pessoalmente o trabalho realizado naquele período. A decisão, explicou, nasceu da percepção de que muitas vezes as pessoas adiam uma visita ou uma palavra de agradecimento e acabam perdendo a oportunidade de demonstrar o que sentem.

Ao recordar o encontro, Roque ressaltou que, apesar das dificuldades de equipamentos e orçamento, a equipe havia conseguido realizar melhorias. Para ele, esse esforço precisava ser lembrado e agradecido.

O conhecimento de quem faz o serviço público funcionar

Como a solenidade ocorreu no Dia do Servidor Público, Roque também destacou a importância dos trabalhadores para o funcionamento das instituições.

Observou que, em diferentes repartições, existem profissionais que se tornam referência pelo conhecimento acumulado. São pessoas procuradas pelos colegas para esclarecer dúvidas, encontrar informações e encaminhar soluções.

Para ilustrar, recordou situações em órgãos públicos de Rio Pardo e na área da educação. Segundo ele, esse conhecimento construído ao longo dos anos tem valor para a continuidade dos serviços e para o atendimento à população.

Roque ainda cumprimentou Sandra pela iniciativa de valorização dos servidores mencionada durante a cerimônia.

Reconhecimento para quem ajudou a construir a história

Na parte final do pronunciamento, o ex-prefeito afirmou que antigos gestores e dirigentes muitas vezes acabam esquecidos depois que deixam suas funções. Citou ex-prefeitos, ex-vereadores e ex-diretores de escola como pessoas cujas contribuições precisam permanecer na memória da comunidade.

Ao abordar o papel dos meios de comunicação, apresentou sua avaliação de que quem já deixou o poder perde espaço e atenção. Relacionou essa percepção à dependência de recursos publicitários por parte dos veículos.

Roque esclareceu que não buscava bajulação, mas a preservação da participação dessas pessoas na história e na cultura local. Nesse sentido, classificou a homenagem como uma oportunidade especial e agradeceu ao prefeito Ricardo Froemming, ao vice-prefeito Melinho, à equipe administrativa e à comunidade.

Para reforçar a reflexão, lembrou uma poesia de um autor de Vera Cruz sobre a valorização que, muitas vezes, chega somente depois da morte. A mensagem encerrou seu apelo para que o reconhecimento seja feito em vida, por meio da presença, do agradecimento e da lembrança de quem dedicou parte de sua caminhada ao município.

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