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Mão de obra estrangeira cresce no RS e sustenta safras agrícolas

Trabalhadores da Argentina e do Uruguai reforçam colheitas e expõem desafios no mercado de trabalho rural

Por Gazeta Popular • Publicado em 01/05/2026 às 15:31

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A presença de trabalhadores estrangeiros, especialmente da Argentina e do Uruguai, tem se tornado cada vez mais relevante no mercado de trabalho rural do Rio Grande do Sul. Em 2026, essa mão de obra já é considerada essencial para atividades sazonais, como a colheita da uva na Serra Gaúcha e outras culturas agrícolas.

Vindima com sotaque estrangeiro

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Durante a safra da uva, conhecida como vindima, a chegada de trabalhadores estrangeiros já é parte da rotina produtiva. Municípios como Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Flores da Cunha recebem centenas de safristas todos os anos.

Dados recentes indicam que:

Os argentinos se consolidaram como principal mão de obra estrangeira nos parreirais gaúchos

Em algumas regiões, chegam a representar até metade dos trabalhadores sazonais

Essa presença crescente responde a uma demanda específica: a necessidade de rapidez na colheita, já que o tempo de maturação da uva exige agilidade para garantir qualidade na produção de vinhos e sucos.

Por que argentinos e uruguaios vêm ao RS?

A migração temporária tem causas econômicas claras. Entre os principais fatores estão:

Crise econômica na Argentina, com forte desvalorização da moeda;

Ganho em reais considerado mais vantajoso;

Proximidade geográfica, facilitando o deslocamento pela fronteira;

Experiência prévia com agricultura, especialmente em regiões como Mendoza

Além disso, produtores gaúchos enfrentam dificuldade para contratar trabalhadores locais, o que abre espaço para a mão de obra estrangeira .

Escassez de mão de obra local

Um dos fatores centrais para esse movimento é a falta de trabalhadores brasileiros interessados nas atividades rurais sazonais.

Produtores relatam:

Baixa adesão de trabalhadores locais;

Dificuldade em preencher vagas temporárias;

Necessidade de contratação rápida em períodos críticos.

Esse cenário transformou a migração de trabalhadores estrangeiros em uma solução prática para manter a produção agrícola.

Uruguai e fronteira oeste

Embora menos visível que a presença argentina na Serra, trabalhadores do Uruguai também participam de atividades rurais no estado, especialmente em regiões de fronteira.

A dinâmica é semelhante:

Trabalho temporário em safras;

Deslocamento facilitado pela proximidade territorial;

Inserção em atividades agrícolas e pecuárias.

Problemas e riscos: exploração e irregularidades

Apesar da importância econômica, o modelo também apresenta fragilidades.

Casos recentes revelam situações de irregularidade:

Trabalhadores estrangeiros resgatados em condições degradantes durante colheitas

Ocorrência de aliciamento por intermediários (“gatos”) em atividades rurais

Em alguns episódios, imigrantes relataram:

Alojamentos precários;

Remuneração abaixo do prometido;

Falta de registro formal de trabalho

Esses casos trouxeram à tona o debate sobre fiscalização e condições de trabalho no campo.

Um novo perfil do trabalho rural

A presença de estrangeiros revela uma transformação estrutural no mercado de trabalho agrícola do Rio Grande do Sul:

Crescimento da mão de obra temporária e migrante;

Dependência de trabalhadores externos em períodos de safra;

Redução do interesse local por atividades rurais intensivas;

Ao mesmo tempo, o fenômeno evidencia a integração econômica regional entre países do Mercosul.

Perspectivas

A tendência é de continuidade desse fluxo migratório nos próximos anos, especialmente enquanto persistirem:

Diferenças cambiais entre os países;

Escassez de mão de obra local;

Alta demanda por trabalhadores sazonais no campo.

No entanto, especialistas apontam que o avanço desse modelo exigirá:

Maior fiscalização trabalhista;

Políticas de regularização da mão de obra estrangeira;

Garantia de condições dignas de trabalho.

A mão de obra vinda da Argentina e do Uruguai já é parte fundamental da engrenagem produtiva do Rio Grande do Sul, especialmente na agricultura.

Se por um lado garante a continuidade das safras e sustenta setores estratégicos como o vinho, por outro expõe fragilidades do mercado de trabalho rural, que ainda enfrenta desafios na valorização do trabalhador e na garantia de condições adequadas.

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01/05/2026 | gazetapopular.com