Concurso de redação premia 12 estudantes e valoriza o olhar dos alunos sobre Vale Verde
Cerimônia realizada em 23 de outubro, no Ginásio Olívia Kappel, reconheceu os três primeiros colocados em cada uma das quatro categorias

O jeito de viver, as paisagens, as memórias e os desafios de Vale Verde foram transformados em literatura pelos estudantes que participaram do Concurso de Redação 2026. Com o tema “O lugar onde eu vivo”, a iniciativa premiou 12 alunos durante cerimônia realizada em 23 de outubro, no Ginásio Olívia Kappel, em Vale Verde.
Foram reconhecidos os três primeiros colocados em cada uma das quatro categorias: Crônica, Memória, Poema e Artigo de Opinião. Os trabalhos apresentam diferentes perspectivas sobre o município, reunindo histórias de família, experiências do cotidiano, tradições culturais e reflexões sobre o futuro da comunidade.
Nas crônicas, os estudantes retrataram o movimento de verão no Balneário Monte Alegre, as lembranças despertadas pelo perfume de jasmim e a relação de pertencimento com o caminho da Santinha. As memórias literárias trouxeram recordações da infância no interior, da festa de emancipação e de uma história de amor marcada pelo casamento e pela convivência familiar.
Nos poemas, ganharam destaque a natureza, o Rio Jacuí, a agricultura, as amizades e o carinho pelo lugar onde os alunos vivem. Já os artigos de opinião abordaram o desenvolvimento do município, a formação dos jovens e a preservação do idioma alemão como parte da herança cultural das famílias.
A relação dos premiados reúne estudantes das escolas municipais Nero Pereira de Freitas, Professora Adélia Figueiredo de Menezes e Professora Odette Pedreira de Mello, além da Escola Estadual de Ensino Médio Curupaiti. A premiação também evidenciou o trabalho das professoras orientadoras no incentivo à escrita e à expressão dos alunos.
Conheça os premiados
Na categoria Crônica, o primeiro lugar foi conquistado por Emily Fernanda da Silva Santos, do 9º ano, com “Falha no sistema”. O segundo ficou com Maria Clara Moura Ferraz, do 8º ano, autora de “O tempo de um instante”, e o terceiro com Isadora Thiesen, também do 8º ano, pelo texto “Um caminho conhecido”. As três estudantes são da EMEF Nero Pereira de Freitas e tiveram orientação da professora Alexandra Rosa.
Em Memória, Isabella Luiza Dick Dornelles, do 7º ano da EMEF Nero Pereira de Freitas, recebeu o primeiro lugar com “Feliz no Simples”. Davi Machado Silveira, do 6º ano da mesma escola, conquistou a segunda colocação com “O dia mais importante da nossa querência”. Ambos tiveram orientação da professora Carolina Hertz. O terceiro lugar foi para Giovana Scharnberg, do 6º ano da EEEM Curupaiti, autora de “A noite da minha vida”, orientada pela professora Leila Rosa de Abreu Severo.
Na categoria Poema, o primeiro colocado foi Wellington Henrique Fernandes Castro, do 4º ano B da EMEF Professora Adélia Figueiredo de Menezes, com “O lugar onde eu vivo”, sob orientação da professora Alessandra Limberger Araújo. O segundo lugar ficou com Ana Julia de Melo Thiesen, do 5º ano B da EMEF Professora Odette Pedreira de Mello, pelo poema “Vale Verde”, orientada pela professora Patrícia Rodrigues Konzen. A terceira colocação foi conquistada por Yago Cardoso Jardim dos Santos, do 4º ano A da EMEF Professora Adélia Figueiredo de Menezes, com “Meu Monte Alegre”, orientado pela professora Andreza Beatriz da Silva Rosa.
Em Artigo de Opinião, as três premiadas são do 1º ano do Ensino Médio da EEEM Curupaiti, com orientação da professora Alexandra Rosa. Maiara Francine Posselt recebeu o primeiro lugar com “Vale Verde: onde pequenas histórias constroem um grande lugar”. Raissa Lima da Costa ficou em segundo com “A formação dos jovens: o papel da família, da escola e da sociedade”. O terceiro lugar foi para Maria Guadalupe Neugebauer Araujo, autora de “Sem passado não existe presente, e sempre não existe futuro”.
Ao reconhecer os trabalhos do primeiro ao terceiro lugar em todas as categorias, o concurso valorizou diferentes formas de escrever e interpretar a realidade local. As produções mostram como as experiências dos estudantes e as histórias compartilhadas entre gerações ajudam a construir a identidade de Vale Verde.
A seguir, a Gazeta Popular apresenta os 12 textos premiados, organizados por categoria e colocação, com a identificação dos respectivos autores, escolas e professoras orientadoras.

CRÔNICA — 1º LUGAR
Falha no sistema
Autora: Emily Fernanda da Silva Santos
9º ano — EMEF Nero Pereira de Freitas
Professora orientadora: Alexandra Rosa
Chegou dezembro, a época em que a rua de casa vira só poeira e cheiro de pneu queimado. Carros passam com os porta-malas lotados, como se disputassem uma corrida de Fórmula 1.
Barracas, geladeiras e colchões seguem empoleirados nas caçambas das camionetes. Músicas tocam todas juntas, no volume máximo, quase causando uma fenda no espaço-tempo. No ar, aquele cheiro inconfundível de protetor solar e um calor que faria qualquer um confundir Vale Verde com o deserto do Saara. Da janela de casa, penso que talvez esteja acontecendo um superevento mundial e tenham se esquecido de me chamar.
Considerando que vivo em uma cidadezinha de pouco mais de três mil habitantes, parece que o mundo inteiro está aqui. É aquele tipo de lugar em que ninguém precisa marcar encontro: basta sair à rua para encontrar alguém conhecido.
De uma hora para outra, a prainha, como minha família carinhosamente a chama, ganha um ar de estranheza. As pessoas que se conhecem pelo nome ficam escondidas em uma multidão de desconhecidos. Uma falha no sistema, só pode ser. É como se a cidade perdesse o ar de interior em um estalar de dedos. Compreensível, tipo… é a prainha. Perfeita pra escapar daquele calor que quase provoca uma combustão espontânea.
Vez ou outra, resolvemos dar uma humilde espiada por lá. Nós nos perdemos no nosso próprio lugar no mundo. Sensação que logo dá lugar à alegria de encontrar amigos escondidos entre os desconhecidos. À euforia do banho de rio, que ameniza o calor de derreter. À música alta, aos bares, ao jogo de vôlei na areia. Tudo aumenta a sensação de viver em uma cidade com um ponto turístico tão disputado quanto o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.
Quando o calor vai embora, a janela de onde observo tudo vira uma espécie de arquibancada de estádio sem jogadores. Curioso e sem sentido. Logo vem a certeza de que o extraordinário está dando lugar ao vazio, ao silêncio e à água que, ultimamente, toma conta de tudo. Na rua, voltam a passar quase só os carros dos vizinhos. Meu lugar retorna ao seu estado de sossego. O sistema vai se recuperando naturalmente, mas fica a nítida sensação de que a falha voltará.
CRÔNICA — 2º LUGAR
O tempo de um instante
Autora: Maria Clara Moura Ferraz
8º ano — EMEF Nero Pereira de Freitas
Professora orientadora: Alexandra Rosa
As manhãs na cabanha sempre chegam devagar. O sol aparece por trás dos campos, enquanto o cheiro de café fresco se mistura ao ar matinal. Naquela manhã, eu permanecia ali, bebericando meu café enquanto observava o lugar onde vivo despertar: os animais, as árvores e aquela calma característica de Vale Verde.
— Filha, leva essa revista pro teu pai. Ele tá no galpão! — pediu minha mãe, quebrando o silêncio tranquilo da manhã.
Suspirando, peguei a revista sem me preocupar em descobrir o que havia nela. Prendi-a debaixo do braço, joguei a mochila por cima do ombro e saí de casa, seguindo pelo trajeto cercado pelo verde dos campos. Mas não cheguei longe.
A revista escorregou do meu braço e caiu no chão. Bufando, abaixei-me para pegá-la e, antes mesmo de me endireitar, senti um aroma doce tomar conta do ar. Ao olhar à minha volta, reparei em pequenas flores surgindo entre as folhas. O frio das manhãs começava a ceder à primavera, como acontece em setembro por aqui. Era jasmim.
Naquele instante, lembrei-me da casa aconchegante da minha tia. Pensei nas conversas, nas risadas e nos momentos que fazem falta. Por alguns segundos, parecia até ouvir sua voz doce no fundo da minha mente, como se ela ainda estivesse bem ali.
Eu queria. Precisava ficar naquele instante por mais tempo. Nem que fosse só por alguns segundinhos.
— Anda logo, guria! Teu pai tá esperando! — gritou minha mãe.
Respirei fundo, enxuguei as lágrimas que haviam escorrido sem que eu percebesse, catei a revista e continuei meu caminho até o galpão. O perfume de jasmim ficou para trás, mas a lembrança dela continuou ao meu lado.
Entreguei a revista ao meu pai e, logo depois, fui esperar a van. O resto do dia seguiu como sempre: as mesmas estradas de chão, os animais e os rostos conhecidos.
E, mesmo sentindo sua falta, continuei caminhando. Algumas pessoas partem, mas deixam lembranças que permanecem conosco. Naquele instante, senti que minha tia ainda vivia nas minhas memórias, na lembrança de sua casa, naquele doce aroma de jasmim e, principalmente, em mim.
CRÔNICA — 3º LUGAR
Um caminho conhecido
Autora: Isadora Thiesen
8º ano — EMEF Nero Pereira de Freitas
Professora orientadora: Alexandra Rosa
Há caminhos que conhecemos pelos pés. Outros, pela memória. O meu é conhecido por ambos. A cada curva estreita que percorro, o ar parece mudar: fica mais leve, mais frio, como se a própria santa soprasse uma brisa sobre aqueles que chegam. Talvez seja só o vento entre as árvores, mas gosto de pensar que não.
Cercado pela natureza, o caminho que muitos percorrem pelo menos uma vez ao ano é também o caminho da minha casa. Já perdi a conta de quantas vezes passei por ali. Conheço cada pedra, cada moradia e cada história que merece ser lembrada. Guardo também minhas próprias memórias: os choros e as risadas, os momentos sozinha ou acompanhada, as flores levadas e as preces sussurradas.
Quando chega outubro, porém, algo muda.
A tão conhecida “Santinha” se enche de devotos, pagadores de promessas, crianças e cavaleiros. Pessoas que, independentemente de suas crenças, se reúnem para assistir à missa. Por algumas horas, o silêncio costumeiro dá lugar ao som das orações daqueles que chegam carregando consigo as próprias histórias.
Há quem anseie pela cavalgada, quem vá cumprir uma promessa, quem volte todos os anos e quem a descubra pela primeira vez. As crianças se animam, correm e brincam; os adultos se reencontram, abraçam os entes queridos e colocam as conversas em dia. Por algumas horas, o espaço parece pequeno para tanta gente, conduzida por motivos diferentes ao mesmo lugar.
Eu, por exemplo, não deixo de ir. Animo-me com aquela muvuca, mesmo acostumada à tranquilidade do lugar no restante do ano. Para mim, a Santinha não é apenas uma capelinha escondida entre árvores. É parte do caminho que conheço desde muito jovem, onde encontro silêncio, serenidade e, de alguma forma, a mim mesma.
Talvez por isso a gruta seja um lugar tão especial: aqueles que vêm de fora a conhecem lotada, cercada de gente e animada. Eu a conheço também vazia, calma. Chega a ser estranho vê-la tão movimentada.
E, quando outubro termina, tudo volta ao normal. As pessoas vão embora, os cavalos deixam de passar e o silêncio retorna. A Santinha fica ali, serena, rodeada por árvores, protegendo Vale Verde. E eu continuo percorrendo aquele caminho, atenta a cada brisa minimamente diferente.

MEMÓRIA — 1º LUGAR
Feliz no Simples
Autora: Isabella Luiza Dick Dornelles
7º ano — EMEF Nero Pereira de Freitas
Professora orientadora: Carolina Hertz
Quando eu era criança, em 1979, morava no interior de Vale Verde, na localidade de Dourados, lugar em que vivemos até hoje. Nossa família era formada por meu pai Olavo, meus três irmãos e eu. Saíamos para o quintal e o céu nos iluminava, com a luz da lua ele parecia ainda maior. Ah, e as noites de verão guardam um espaço no meu coração…
Ficávamos sentados na grama à frente da nossa casa de pedra. Meu pai tocava violão e o seu amigo Elau tocava a gaita, enquanto cantavam músicas para nós. Tem um trecho que recordo até hoje: “Lá na beira do roçado, onde a tristeza não vem, eu vivia sossegado com a viola do meu lado, mais feliz do que ninguém. […]”. Sempre que escuto essa melodia um sentimento de nostalgia vem à tona.
Recordo-me perfeitamente de que brincávamos de fazer sombras com as mãos com a escassa luz dos velhos lampiões, pois naquele tempo não havia energia elétrica. O pai nos contava sobre as estrelas, as Três Marias eram suas favoritas. Nós também gostávamos de subir em um tonel de aço, tentando rolar e nos equilibrar, cada tombo era uma gargalhada.
Quando meu pai ia trabalhar fazendo cerca, ele me levava em seu pescoço, debaixo do sol, eu ficava tão contente de passar este tempo junto dele. Eu tinha um bronzeado cada vez mais forte, sentia minha pele queimar na hora de deitar nos antigos colchões de palha de milho e meu travesseiro surrado de penas.
Lembro-me de que meu pai também trabalhava de táxi, com uma Kombi fazendo viagens para a cidade. Sempre que ele ia pra fora, eu pedia pra ele trazer um pão de sal (um pão bem grande com uma embalagem marrom). Quando ele trazia pra mim, eu ficava tão feliz.
Agora repasso esses ensinamentos para os meus netos: o melhor presente sempre será o tempo que passamos juntos compartilhando memórias e lembranças que irão durar gerações.
Na época era tudo tão simples… mas hoje guardo com uma nostálgica saudade. Ao recordar essas lembranças, percebo que a minha história pessoal se funde com a antiga essência de Vale Verde: o solo, as tradições e a identidade desta terra vivem nos detalhes de quem sou e do legado que continuo a plantar aqui.
MEMÓRIA — 2º LUGAR
O dia mais importante da nossa querência
Autor: Davi Machado Silveira
6º ano — EMEF Nero Pereira de Freitas
Professora orientadora: Carolina Hertz
Tenho a lembrança de um dia muito importante de 1995. Era final de dezembro: numa manhã ensolarada acordei mais feliz. Era a grande festa de emancipação do município de Vale Verde. Lembro-me de que meu marido, minhas filhas e eu saímos depressa. Morávamos na localidade de Lomba Alta, bem longe do que hoje é o centro do município, local da festança na época. Vestimos roupas novas, nos perfumamos e entramos no nosso grande Corcel azul, ou “Trovão azul”, como as crianças chamavam.
Uns bons minutos se passaram, percorrendo o longo caminho de estrada esburacada, pois naquele tempo ainda não havia asfalto. Finalmente chegamos ao centro, olhei para o lado, foguetes estouraram e luzes piscavam em todas as direções. Sentia felicidade naquele momento. Eu mal sabia que seria um dos dias mais alegres da minha vida e para as crianças também.
Depois de procurar muito um lugar, encontramos uma vaga para estacionar. Fechei a porta do carro enquanto caminhava em direção ao Ginásio 25 de julho. A música do lugar ecoava alto ao redor do mar de gente, todos radiantes ao som de bandinhas. Até dancei com meu marido, eu e ele estávamos muito felizes. Já nem sabíamos onde as minhas filhas se encontravam, só sabíamos que estavam seguras. Dei uma breve olhada ao redor do povoado. Foi aí que encontrei alguns conhecidos e comecei a prosear muito, enquanto as meninas já estavam brincando com outras crianças. Meu marido logo encontrou seus parceiros de lida no campo.
Churrasco, bebida e muita festa! Aquele lugar se encontrava lindo. A carne do gado doado pelos fazendeiros estava deliciosa. Bandeiras do Rio Grande, cavalos à soga e principalmente prendas e peões chegando num ritmo acelerado. Escutávamos de longe os cascos batendo na estrada de chão batido.
Os novos valeverdenses gritavam de alegria para se comunicar, pois a banda tocava mais alegre ainda. A festa já estava quase acabando, mas todos estavam eufóricos porque era uma conquista, um sonho. Passamos o dia lá, até que chegou a hora de ir para casa, mas não fiquei triste por acabar a festa e sim orgulhosa por pertencer a este lugar.
Com certeza esse dia ficará para sempre em minha memória. Já não tenho mais idade para uma festa daquela, mas recordo que com quarenta e poucos anos vivi um dos momentos mais lindos que já vivenciei. Naquela data, nosso povo honesto e trabalhador criou uma nova querência, a nossa querência, a terra amada de Vale Verde.
MEMÓRIA — 3º LUGAR
A noite da minha vida
Autora: Giovana Scharnberg
6º ano — EEEM Curupaiti
Professora orientadora: Leila Rosa de Abreu Severo
Quando falamos de Vale Verde, nosso município, logo nos vem à mente sua calmaria e beleza. Mas quem conhece a fundo esse lugar, sabe que a cidade é feita de muitos tipos de histórias: desde os contos de terror que os antigos contavam sobre as estradas escuras, o trabalho na roça, até a união de todos nas grandes festividades, mas essa história trata-se do dia do meu casamento.
Se hoje fecho meus olhos, ainda consigo me lembrar do cheiro do churrasco exalando pela casa dos meus pais, o gosto das tortas e cucas, o som da música e dos pés arrastando no chão, lembro como se fosse hoje, o vestido que usei, que era lindo. Esse foi o dia mais inesquecível da minha vida, o dia do meu casamento.
O ano era 1969, conheci meu amado em um baile na Vila Melos, quando eu o vi, senti algo diferente em meu coração.
Dias depois do baile, ele pediu minha mão em namoro para meus pais, minha mão suava de nervosismo, mas felizmente eles disseram sim!
Depois de alguns anos, faltavam só dois dias para o casamento. Eu, minha mãe, e minhas vizinhas estávamos preparando tudo, cucas, tortas e salgados de todos os tipos, meu vestido foi confeccionado pela minha vizinha, especialmente para o grande dia.
Dois dias se passaram e aquele dia finalmente havia chegado, meu coração que já batia forte desde o dia que o vi, parecia querer saltar do meu peito vendo tudo acontecendo do jeito que sonhei. As horas pareciam se passar em um piscar de olhos, os convidados foram se acomodando na pequena casa em que eu morava, os homens aprontavam o churrasco lá fora, espetados em um espeto de pau, o dia estava lindo, do jeito que eu sempre sonhei.
Aquele momento em que eu tanto esperei havia chegado, eu e meu amado nos casamos, naquele dia, parecia que tinha voltado no tempo para o dia em que eu o conheci.
Nós vivemos por 43 anos juntos, mas infelizmente em 2012 ele me deixou, por conta de uma terrível doença, o câncer.
Hoje me alegro, em poder olhar os álbuns de fotografias e relembrar aquele momento, compartilhando essa linda história de amor com meus netos e bisneto.

POEMA — 1º LUGAR
O lugar onde eu vivo
Autor: Wellington Henrique Fernandes Castro
4º ano B — EMEF Professora Adélia Figueiredo de Menezes
Professora orientadora: Alessandra Limberger Araújo
Neste lugar onde a paz e a alegria
Fazem meu coração brilhar a cada dia,
A vida segue doce, mansa e calma,
E a esperança cresce em nossa alma.
Nosso Vale é uma terra muito fértil,
Onde cada rotina se faz útil.
Temos o brilho de um lindo céu azul,
Que é abençoado de norte a sul.
Nosso sustento vem todo do fumo,
Trabalho firme que nos dá o rumo.
A lida é feita pelo meu querido pai,
Cujo ensinamento nunca se vai.
Outras lavouras também são cuidadas,
Para alimentar as vidas calejadas.
Com muito esforço, união e amor,
O nosso vale é sempre o melhor..
POEMA — 2º LUGAR
Vale Verde
Autora: Ana Julia de Melo Thiesen
5º ano B — EMEF Professora Odette Pedreira de Mello
Professora orientadora: Patrícia Rodrigues Konzen
Eu moro no Vale Verde,
Vale Verde é uma cidade legal
para mim, ela é especial.
Amigos e muita alegria
que deixam mais feliz o meu dia.
Vale Verde é meu lugar,
onde eu gosto de brincar.
É uma cidade que eu amo de verdade,
cheia de paz e felicidade.
De manhã eu vou à escola,
para estudar e aprender
e depois penso nos sonhos
que ainda quero viver.
Tem dias de muita alegria,
tem momentos para lembrar
e cada cantinho daqui
tem uma história para contar.
Minha cidade, meu cantinho,
meu lugar de felicidade,
sempre vou levar comigo
o amor por Vale Verde, minha cidade.
POEMA — 3º LUGAR
Meu Monte Alegre
Autor: Yago Cardoso Jardim dos Santos
4º ano A — EMEF Professora Adélia Figueiredo de Menezes
Professora orientadora: Andreza Beatriz da Silva Rosa
Eu moro no Monte Alegre,
Um lugar muito alegre!
Gosto de brincar e pular,
De correr, sorrir e cantar!
O lugar onde eu vivo
Tem um rio e muita gente,
Tem bugio lá na mata,
A natureza sempre presente!
O Rio Jacuí,
É bonito de se olhar,
E o Balneário Monte Alegre,
Um lugar para encantar!
No Balneário Monte Alegre
Eu gosto de brincar,
Tomar banho de rio
E com os amigos me alegrar!
Gosto muito de pescar
Nas águas do Jacuí,
Vou com minha mãe contente
Pescar muitos lambaris!
Jogo a linha devagar,
Esperando o lambari,
Quando ele puxa a linha,
É festa por aqui!
Tem natureza e amizade,
Tem beleza de verdade!
Aqui eu vivo sorridente,
Com meu povo e minha gente!

ARTIGO DE OPINIÃO — 1º LUGAR
Vale Verde: onde pequenas histórias constroem um grande lugar
Autora: Maiara Francine Posselt
1º ano do Ensino Médio — EEEM Curupaiti
Professora orientadora: Alexandra Rosa
Há lugares que são conhecidos apenas por seus nomes, e há lugares que carregam histórias, sentimentos e memórias. Vale Verde, no Rio Grande do Sul, é um desses lugares. É no cotidiano simples, nas paisagens naturais e na boa convivência que a verdadeira identidade do município se revela. Por isso, viver aqui significa mais do que morar em uma cidade: significa fazer parte de uma comunidade que valoriza suas raízes, a tranquilidade e seu jeito acolhedor de viver.
Um dos maiores tesouros de Vale Verde é a tranquilidade. Enquanto grandes cidades são marcadas pela correria, pelo trânsito e pelo excesso de movimento e violência, aqui é possível perceber um ritmo diferente. As pessoas se conhecem, convivem mais próximas e muitas vezes estão dispostas a ajudar umas as outras. Essa proximidade fortalece os laços entre os moradores e cria um sentimento de pertencimento, fazendo com que a cidade seja reconhecida não apenas pelos seus espaços, mas também pelas pessoas que a constroem diariamente.
Outro aspecto que merece destaque é a natureza. As áreas verdes e rurais fazem parte da paisagem e da identidade de Vale Verde, mostrando a importância da relação entre a população e o meio ambiente. Entretanto, preservar essas riquezas não significa impedir o desenvolvimento. Pelo contrário: é possível crescer sem destruir o que torna o município especial, buscando equilíbrio entre progresso, preservação ambiental e qualidade de vida.
Ainda existem desafios a serem enfrentados. A ampliação das opções de lazer, das atividades para os jovens e das oportunidades de desenvolvimento podem contribuir para que a população tenha mais motivos para permanecer e construir seu futuro no próprio município. Nesse sentido, ouvir os moradores, sem excluir os jovens, é fundamental para colocar em prática o que realmente pode fazer diferença na vida da comunidade.
Assim, o futuro de Vale Verde depende da união entre poder público e população. O Poder Executivo, com a participação da comunidade, deve utilizar o diálogo para definir prioridades. Dessa forma, será possível desenvolver o município sem perder sua essência. Afinal, Vale Verde não precisa deixar de ser uma cidade tranquila para crescer: precisa apenas valorizar o que já possui e transformar seus desafios em novas possibilidades. É justamente nessa união entre suas raízes e seu futuro que está a força do lugar onde vivo.
ARTIGO DE OPINIÃO — 2º LUGAR
A formação dos jovens: o papel da família, da escola e da sociedade
Autora: Raissa Lima da Costa
1º ano do Ensino Médio — EEEM Curupaiti
Professora orientadora: Alexandra Rosa
Vivo em Vale Verde, cidade pequena, tranquila e feliz. Onde o povo mostra-se generoso e acolhedor. Porém, tenho vivido dias sombrios, especialmente em minha sala de aula, que não parece refletir o que vejo no povo. E é justamente isso que me assusta, porque nós jovens somos o futuro.
O que vejo diariamente é preocupante. É mais perceptível a falta de respeito e de empatia com colegas e professores. Passamos praticamente um ano perdendo aulas para tentar solucionar problemas de indisciplina e falta de respeito com reuniões e conversas sobre o óbvio. Dentro de um espaço destinado ao estudo, um grupo simplesmente acha que pode fazer o que bem entende, sem respeitar os direitos e o espaço do outro.
Essa realidade mostra que a nossa comunidade está falhando na criação dos jovens. Para mim, o problema tem duas causas claras: pais que mimam demais e não dão limites em casa, e uma escola que faz reuniões, conversas, mas não tem o poder para aplicar punições sérias para quem passa da conta.
A filósofa Hannah Arendt, ao discutir a crise da autoridade na sociedade moderna, aponta que, quando instituições como a família e a escola perdem sua capacidade de estabelecer regras e limites éticos, a autoridade tende a se enfraquecer. Nesse sentido, a ausência de limites consistentes na educação pode fazer com que comportamentos inadequados sejam vistos como aceitáveis, dificultando a construção do respeito e da boa convivência. Consequentemente, atitudes agressivas e de deboche contra professores e colegas se tornam recorrentes no ambiente escolar, prejudicando o processo de aprendizagem.
Sabe-se que a educação recebida dentro de casa influencia diretamente a forma como os jovens se comportam fora dela. Quando pais atendem a todos os desejos dos filhos e não estabelecem limites ou consequências para atitudes desrespeitosas, acabam dificultando a compreensão de que nem tudo pode ser feito da maneira que se quer. Consequentemente, alunos chegam à escola acreditando que podem agir sem considerar as pessoas que ali estão, reproduzindo comportamentos de total desrespeito.
Portanto, para melhorar a relação entre família, escola e alunos, é necessário que os pais/responsáveis e as autoridades estabeleçam consequências claras para atitudes inadequadas. Dessa maneira, a nossa comunidade estaria cumprindo melhor seu papel na formação de novos cidadãos.
ARTIGO DE OPINIÃO — 3º LUGAR
Sem passado não existe presente, e sempre não existe futuro
Autora: Maria Guadalupe Neugebauer Araujo
1º ano do Ensino Médio — EEEM Curupaiti
Professora orientadora: Alexandra Rosa
Em Vale Verde, o idioma alemão faz parte da história e da cultura de muitas famílias. Porém, atualmente percebemos que são principalmente as pessoas mais velhas que ainda falam a língua, enquanto muitos jovens nem mesmo a reconhecem. Acredito que preservar esse idioma é algo fundamental, não só por causa da história, mas principalmente pela família, pois, quando algo é familiar, torna-se especial, importante e carinhoso.
Antigamente, era muito comum que as crianças aprendessem alemão dentro de casa, principalmente com os avós e outros familiares que às vezes nem sabiam falar português. Por isso, o alemão era algo natural do dia a dia. As crianças cresciam ouvindo e falando o idioma em casa, o que fazia com que ele fosse passado de uma geração para a outra. Mas, com o passar do tempo, essa tradição foi desaparecendo. Hoje em dia, são raros os jovens que sabem alemão ou que aprenderam com os familiares. Enquanto a maioria acaba tendo pouquíssimo contato com a língua, isso faz com que o idioma fique cada vez mais restrito às pessoas mais velhas. Se nada for feito, existe um risco real de que em alguns anos, ninguém mais no município saiba falar a língua alemã.
Por isso, considero que o idioma deve ser valorizado como um símbolo importante da história e da cultura de Vale Verde. Uma forma de preservar essa tradição seria incentivar os investimentos em alemão, como palestras, músicas e principalmente no ensino. É essencial que as escolas também possam oferecer aulas e eventos culturais. As famílias também poderiam contribuir para ensinar palavras e expressões às crianças, e conversar com elas em alemão sempre que possível.
Afinal, se faz parte da história de Vale Verde, cabe a nós ajudar a mantê-lo vivo, para que essa parte tão rica e importante da cultura do município não se perca no passado.
