Para além dos ricos e oportunos temas refletidos, esta foi uma experiência que possibilitou “tocar com a mão” a diversidade e a catolicidade da Igreja. Ouvir a experiência dos bispos e os desafios de Igrejas particulares da Rússia, da França, da Etiópia, da Escócia, das Ilhas Fuji, da Indonésia e da Venezuela, para citar apenas alguns países, é algo que não costuma ocorrer com frequência. Conviver e partilhar buscas e esperanças de igual para igual, não obstante os limites de idioma, é uma graça especial.
Três momentos foram particularmente especiais. O primeiro foi a celebração eucarística na Basílica de São Pedro, concluída com a visita ao túmulo de São Pedro. Este sinal visível de comunhão com a sede da Igreja Católica, com o passado humilde e eloquente dos apóstolos que lançaram as bases da vida cristã, emociona e compromete. Levei comigo junto aos restos mortais de São Pedro o povo da diocese de Santa Cruz, especialmente as pessoas mais vulneráveis, os padres, os diáconos e as demais lideranças.
Um segundo momento particularmente tocante foi a celebração de canonização dos jovens Pedro Jorge Frassatti (1901-1925) e Carlo Acutis (1991-2006). Presenciar a proclamação solene da Igreja de que estes jovens, não obstante os poucos anos de vida, chegaram à maturidade humana e cristã e são referências sólidas para todas as gerações, é fonte de imensa alegria e sincera gratidão. Neles os jovens de hoje podem encontrar estímulo e orientação para unir fé e vida, vida eclesial e compromisso social.
Um terceiro momento especial foi o encontro coletivo dos novos bispos com o Papa Leão XIV. Mais que poder apertar a mão e receber a bênção pessoal daquele que é sinal visível de unidade da Igreja católica, apreciei a oportunidade de diálogo com ele, de apresentar questões e ouvir suas ponderações. De fato, depois de uma breve reflexão de pouco mais de maia hora, o Papa dialogou conosco por mais de uma hora, respondendo às nossas perguntas e aconselhando, sempre com muita humanidade, simplicidade e bom humor.
Animado e confirmado por essas experiências, e também com a ajuda das diversas palestras de expoentes da Igreja (diversos bispos e cardeais, inclusive três que eram considerados “papáveis”), volto com algumas convicções que estarão presentes no exercício do ministério que a Igreja me confiou. Partilhando essa vivência, desejo agradecer a Deus a oportunidade, reforçar os vínculos com o povo que vive na Diocese de Santa Cruz e renovar meu compromisso de pastorear sempre movido pela esperança.
Dom Itacir Brassiani msf
Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul
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