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A paz merece uma chance!

No final da fervilhante década de 1960, John Lennon e Yoko Ono lançaram um grito de alerta: “Deem uma chance à paz!” Meio século depois, no início de um novo ano, ainda é preciso repetir, mesmo que poucos deem ouvidos e outros protestem ao ouvir isso da boca de um líder religioso: “Tudo o que […]

Por Gazeta Popular • Publicado em 30/12/2025 às 15:21

Dom Itacir — Gazeta Popular
Dom Itacir — Gazeta Popular

No final da fervilhante década de 1960, John Lennon e Yoko Ono lançaram um grito de alerta: “Deem uma chance à paz!” Meio século depois, no início de um novo ano, ainda é preciso repetir, mesmo que poucos deem ouvidos e outros protestem ao ouvir isso da boca de um líder religioso: “Tudo o que estamos dizendo é isso: deem uma chance à paz!”

Resumo aqui a mensagem do Papa Leão XIV para o ano novo, pois ele faz eco a esse alerta. O coro dos anjos na noite do Natal e o dom de Jesus na sua páscoa atestam que a paz que Jesus Cristo nos dá é uma paz desarmada, desarmante e perseverante. E um apelo oportuno quando os donos das guerras rosnam por todo lado, inclusive perto de nós.

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A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. Ela vence inclusive a “terceira guerra mundial em pedações”, que se espalha mais e mais. Mesmo sendo frágil e vulnerável, a paz nos ajuda a não esquecer o bem, a reconhecê-lo como vencedor, a escolhê-lo sempre de novo e de mãos dadas.

A paz que Jesus nos confia como tarefa é desarmada porque desarmada foi toda a sua luta. Não há nada mais desarmante que um bebê! Como discípulos seus, devemos ser testemunhas desta novidade, denunciando os governantes que aumentam os gastos militares e os justificam com a vaga ameaça dos “narcotraficantes”. Basta de cadáveres!

A fabricação interesseira de inimigos (os migrantes, os favelados, os diferentes) é uma tática de guerra, e os avanços tecnológicos e a aplicação da inteligência artificial aumentam a tragédia dos conflitos armados. Com elas, as autoridades delegam às máquinas as decisões sobre vida e a morte dos outros e fogem de suas responsabilidades.

Essa lógica de oposição, que não é o princípio da legítima defesa, é o dado mais atual numa desestabilização planetária que a cada dia se torna mais dramática e imprevisível.  Em 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% (2,5% do PIB mundial) em relação ao ano anterior, confirmando a tendência dos últimos dez anos.

Como poderá 2026 ser um ano novo se não formos capazes de perceber e nos rebelar contra isso que acontece sob os nossos olhos e ao nosso redor? Não podemos repetir Shalom! como se fosse uma saudação protocolar que não compromete nem incomoda ninguém. Não esperemos um ano novo de modo passivo e ingênuo. Trabalhemos incansavelmente por um ano realmente novo, por uma paz desarmada e desarmante.

Dom Itacir Brassiani msf

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30/12/2025 | gazetapopular.com