“Não adianta o produtor ter uma boa safra e um fumo de qualidade se o preço não acompanhar. Este ano, vimos duas rodadas de negociações, com algumas empresas oferecendo 6% de aumento, outras um pouco mais, enquanto algumas querem manter a tabela congelada para o fumo de menor qualidade. É difícil fazer um acerto que atenda a todos, mas acredito que teremos uma média de 8% a 10% de aumento em relação à tabela do ano passado”, afirmou Schuch.
Impacto do aumento no preço do fumo
Segundo o deputado, um reajuste de até 10% seria um alívio para muitos produtores, especialmente considerando a inflação de 4,7% e o aumento de 7,5% no salário mínimo. “O agricultor que teve uma boa safra, com fumo de qualidade, poucos gastos com mão de obra e lenha, e sem perdas causadas por granizo ou outras intempéries, ficará satisfeito com esse aumento. Mas, para aqueles que enfrentaram problemas, como perdas pela chuva de granizo, a margem de lucro será menor, e muitos podem acabar pedindo valores mais altos para compensar os prejuízos”, explicou.
Rigor na classificação e desafios para os produtores
Um dos fatores que pode dificultar a comercialização do fumo este ano, de acordo com Schuch, é o aumento do rigor na classificação do produto pelas empresas. “Diferentemente do ano passado, quando o fumo era juntado e enviado às empresas que, muitas vezes, pagavam até acima da tabela, este ano o cenário parece mais complicado. O rigor na separação e classificação certamente vai trazer mais trabalho para os produtores, que terão que negociar diretamente com seus instrutores para obter um preço justo”, alertou.
Além disso, Schuch destacou a incerteza quanto ao tamanho total da safra, já que muitas plantações ainda estão em fase de crescimento, e algumas regiões apresentam fumo pequeno, que não chegou a entrar na floração. “As empresas ainda estão avaliando o quantitativo da safra, o que influencia diretamente na classificação e, consequentemente, nos preços.”
Perspectivas para o setor
Apesar dos desafios, o deputado se mostrou esperançoso de que as negociações cheguem a um consenso que beneficie os agricultores, especialmente aqueles que se dedicaram à produção de fumo de qualidade. Ele reforçou a importância de um diálogo constante entre produtores e empresas, garantindo que os preços sejam justos e reflitam os esforços dos agricultores.
“Acredito que, mesmo com as dificuldades, o aumento médio de 8% a 10% no preço do fumo pode trazer algum alívio, especialmente em um contexto onde os custos de produção estão sempre em alta. Mas é fundamental que os produtores estejam atentos às negociações e às exigências das empresas para garantir a valorização do seu trabalho”, concluiu Schuch.
A fala do deputado reflete a complexidade do setor fumageiro e a necessidade de equilíbrio entre qualidade, produção e preços justos, especialmente em um ano marcado por desafios climáticos e econômicos para os agricultores.
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