Conciliar maternidade e desenvolvimento profissional ainda é um desafio para muitas brasileiras. Pesquisa divulgada pela B3 e pelo Instituto Locomotiva em maio deste ano mostra que 77% dos brasileiros acreditam que mulheres com filhos enfrentam mais obstáculos no mercado de trabalho. Entre as próprias mães, essa percepção chega a 86%. Outro levantamento, realizado pela Todas Group em parceria com a Nexus, aponta que 79% das mães em posições de liderança já enfrentaram algum tipo de obstáculo de gênero na carreira.
Os números ajudam a dimensionar uma realidade que ainda acompanha a maternidade no mundo do trabalho. Pesquisa da Fesa Group também identificou que 59,1% das executivas entrevistadas consideram que a chegada dos filhos teve impacto em suas carreiras. Na JTI, as trajetórias de Fernanda Zenkner, Gerente de Melhoramento de Plantas, e Carla Bulsing, Latam Treasury Specialist, seguem um caminho diferente: as duas assumiram novas posições profissionais depois de retornarem da licença-maternidade.
Para a JTI, maternidade e desenvolvimento profissional não devem ser caminhos excludentes. A companhia busca construir um ambiente em que o diálogo com as lideranças, a flexibilidade e o planejamento das transições antes e depois da licença contribuam para que cada profissional possa continuar desenvolvendo sua carreira.
As histórias de Fernanda e Carla mostram como esse cuidado pode aparecer na prática, respeitando momentos distintos da vida sem deixar de reconhecer desempenho, experiência e potencial.
Uma carreira construída dentro da JTI
A trajetória de Fernanda Zenkner começou muito antes de ela imaginar que chegaria a uma posição de liderança. Natural da região, mudou-se para Santa Cruz do Sul ainda jovem para concluir os estudos e cursou Ciências Biológicas na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Em agosto de 2012, iniciou sua história na JTI como Auxiliar de Laboratório, em uma posição temporária no Centro de Pesquisas da companhia, o ADET.
Em abril de 2013, foi efetivada como Assistente de Desenvolvimento Agronômico. Em setembro de 2018, foi promovida a Supervisora de Melhoramento de Plantas e Laboratório, função que exerceu até abril de 2025, quando assumiu o cargo de Gerente de Melhoramento de Plantas. Nesse período, ampliou responsabilidades, participou de projetos ligados à área agronômica e chegou a viajar ao Japão em uma iniciativa de integração com equipes internacionais da companhia.
A maternidade também passou a fazer parte dessa trajetória. Em março de 2020, já no final da primeira gestação, Fernanda foi informada de que passaria a trabalhar em home office devido à pandemia da Covid-19, por integrar o grupo de risco. Sua filha Ágata nasceu em maio daquele ano. Fernanda conta que encontrou abertura para conversar sobre a nova rotina com sua liderança. O mesmo ocorreu anos depois, quando engravidou de Ícaro, que nasceu em dezembro de 2024. Durante o período em que esteve afastada, foi promovida, em abril de 2025, a Gerente de Melhoramento de Plantas. Quando retornou da licença, em junho de 2025, voltou à JTI já na nova posição.
“Em nenhum momento senti que ter filhos significaria abrir mão da minha carreira. Sempre tive gestores muito compreensivos e espaço para conversar sobre as necessidades da família. Receber uma nova oportunidade justamente nesse período foi também um reconhecimento de toda a trajetória que eu vinha construindo na empresa”, afirma Fernanda.
Hoje, ela lidera profissionais de diferentes níveis e continua próxima da operação agronômica, conciliando atividades no campo e no escritório com a vida ao lado do marido, Hiuri Bredow Marques, e dos filhos. Na rotina fora do trabalho, procura reservar tempo para atividades físicas, leitura e programas ao ar livre com a família.
“Depois que os filhos chegam, a rotina muda e precisamos reorganizar prioridades. Ter flexibilidade e confiança da liderança faz diferença para conseguir estar presente na família sem deixar de continuar crescendo profissionalmente”, completa.

Da posição temporária a uma função Latam
A história de Carla Bulsing também começou em Santa Cruz do Sul, cidade onde nasceu e cresceu. Formada em Ciências Contábeis e com pós-graduação em Finanças, ingressou na JTI inicialmente como profissional temporária, em 2021, na área de P&A (Planning & Analysis) de Leaf. A experiência abriu caminho para outras oportunidades dentro da companhia.
Em fevereiro de 2022, Carla passou para a área de Tesouraria como analista. Com o tempo, ampliou seu escopo e começou a se preparar para assumir atividades com atuação regional. Antes mesmo de iniciar sua licença-maternidade, a movimentação já vinha sendo discutida com sua gestora, Karina, e o time organizou um handover para garantir a continuidade das atividades durante sua ausência.
Carla engravidou em novembro de 2024 e, após o nascimento de Lívia, permaneceu afastada por cerca de cinco meses e meio. Ao retornar e concluir também seu período de férias, recebeu a confirmação de sua nova posição como Latam Treasury Specialist.
“Eu voltei receosa, porque a maternidade muda muita coisa na nossa vida. Receber essa oportunidade foi uma surpresa muito feliz. Para mim, é importante ser mãe, mas também continuar tendo minha identidade profissional, aprendendo e construindo minha carreira”, conta.
A nova posição trouxe também desafios de uma atuação regional, com reuniões e interação com diferentes países e horários. Segundo Carla, o modelo híbrido, a organização do time e a rede de apoio familiar têm sido fundamentais para conciliar as diferentes responsabilidades.
Aos 33 anos, ela divide a rotina entre o trabalho, os cuidados com Lívia e outra paixão: a corrida. Neste ano, completou uma meia maratona e, para encaixar os treinos no dia a dia, costuma acordar às 5h. Depois, organiza a filha para a escola e, no período da tarde, é quem normalmente vai buscá-la.
“Existe uma rede por trás de tudo. Em casa, na família e também no trabalho. Somos uma equipe e isso faz muita diferença. Quando existe confiança e as entregas são reconhecidas pela performance, você entende que a maternidade não precisa colocar um limite na sua trajetória profissional”, afirma Carla.
As experiências de Fernanda e Carla mostram que o retorno da licença-maternidade pode ser também um momento de continuidade e avanço profissional. Em um cenário em que pesquisas ainda apontam barreiras relevantes para mulheres com filhos, criar condições para que a maternidade conviva com oportunidades de desenvolvimento é parte de uma agenda que envolve empresas, lideranças, famílias e a sociedade.


