Venâncio Aires ocupa a quinta posição entre os municípios que mais produzem tabaco no Sul do Brasil, conforme levantamento da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), referente à safra 2025/2026. O município registrou uma produção de 18.741 toneladas, cultivadas em 8.278 hectares por 3.526 produtores. Apesar de permanecer entre os principais polos da fumicultura, Venâncio Aires perdeu duas posições em relação à safra anterior, quando ocupava o terceiro lugar, com 20.669 toneladas produzidas.
O levantamento também evidencia a importância econômica do tabaco no Vale do Rio Pardo. Além de Venâncio Aires, aparecem entre os 30 maiores produtores os municípios de Candelária, na 11ª posição, Vale do Sol, em 16º lugar, e Santa Cruz do Sul, na 17ª colocação.
Juntos, os quatro municípios produziram 52.960 toneladas de tabaco, em uma área de 24.655 hectares, envolvendo 11.699 produtores. O volume corresponde a aproximadamente 7,5% de toda a produção sul-brasileira.
Os números reforçam a representatividade da fumicultura na economia regional, especialmente na agricultura familiar, no comércio, no transporte e nas atividades industriais relacionadas ao processamento e à comercialização do tabaco.
São João do Triunfo assume a liderança
O município de São João do Triunfo, no Paraná, lidera o ranking da safra 2025/2026, com 25.098 toneladas produzidas em 10.427 hectares, envolvendo 2.516 produtores. Esta é a segunda vez que o município paranaense ocupa a primeira colocação.
Canguçu, no Rio Grande do Sul, que vinha liderando o levantamento, passou para o segundo lugar, com 22.903 toneladas. Na terceira posição aparece Rio Azul, no Paraná, com 19.335 toneladas, seguido de Itaiópolis, em Santa Catarina, com 19.015 toneladas.
Venâncio Aires completa o grupo dos cinco maiores produtores, mantendo sua posição de destaque nacional na cadeia produtiva do tabaco.
Entre os dez primeiros colocados também aparecem São Lourenço do Sul (RS), Canoinhas (SC), Prudentópolis (PR), Ipiranga (PR) e Santa Terezinha (SC).
Municípios da região mantêm destaque
Candelária ocupa a 11ª posição no ranking, com 12.367 toneladas produzidas em 5.707 hectares, envolvendo 2.785 produtores.
Vale do Sol aparece em 16º lugar, com produção de 10.944 toneladas, distribuídas em 5.344 hectares e cultivadas por 2.518 produtores.
Logo em seguida está Santa Cruz do Sul, na 17ª colocação, com 10.908 toneladas colhidas em 5.326 hectares, envolvendo 2.870 produtores.
Além da produção agrícola, Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires concentram importantes atividades industriais e comerciais ligadas à cadeia do tabaco, ampliando a relevância econômica do setor para o Vale do Rio Pardo.
Produção diminui no Sul do Brasil
A safra 2025/2026 encerrou com 710.229 toneladas de tabaco produzidas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O resultado representa uma redução de 1,3% em relação às 719.891 toneladas registradas no ciclo anterior.
A área cultivada passou de 309.982 para 308.932 hectares, queda de 0,3%. O número de famílias produtoras também diminuiu, passando de 138.020 para 135.972, redução de 1,5%.
A produtividade média ficou em 2.299 quilos por hectare, aproximadamente 1% abaixo dos 2.322 quilos registrados anteriormente.
O tabaco Virgínia continua predominante, com 639.471 toneladas, representando cerca de 90% da produção. O tipo Burley respondeu por 60.089 toneladas, enquanto o tabaco Comum somou 10.669 toneladas.
Rio Grande do Sul registra queda de 5,5%
Embora permaneça como o maior estado produtor de tabaco do Brasil, o Rio Grande do Sul apresentou uma redução significativa na safra 2025/2026.
A produção gaúcha totalizou 286.603 toneladas, queda de 5,5% em comparação com o ciclo anterior. O estado respondeu por 40,4% de toda a produção sul-brasileira.
A área cultivada chegou a 132.076 hectares, enquanto o número de famílias produtoras caiu 2,1%, totalizando 67.815.
A produtividade média recuou 5,7%, passando de 2.302 para 2.170 quilos por hectare.
Santa Catarina encerrou a safra com 223.643 toneladas, redução de 1,1%, envolvendo 40.656 famílias produtoras.
O Paraná foi o único estado a registrar crescimento, alcançando 199.983 toneladas, aumento de 5,1% em relação à safra anterior. O estado também apresentou avanço na produtividade, que chegou a 2.385 quilos por hectare.
Receita dos produtores cai quase 12%
Além da redução na produção, a safra 2025/2026 foi marcada pela diminuição da receita bruta dos fumicultores.
Segundo os dados divulgados, os produtores dos três estados do Sul receberam R$ 12,835 bilhões, contra R$ 14,575 bilhões na safra anterior. A diferença representa uma queda de 11,9%, equivalente a aproximadamente R$ 1,74 bilhão.
O Rio Grande do Sul respondeu por R$ 5,071 bilhões desse montante, seguido por Santa Catarina, com R$ 4,104 bilhões, e Paraná, com R$ 3,659 bilhões.
A redução da receita, superior à queda registrada no volume produzido, indica diminuição no valor médio recebido por tonelada, considerando os resultados agregados das duas safras.
O cenário merece atenção especialmente nos municípios em que a fumicultura representa uma das principais fontes de renda das famílias rurais.
Agricultura familiar sustenta a atividade
A produção de tabaco está presente em 527 municípios do Sul do Brasil e mantém forte ligação com a agricultura familiar.
Em muitas dessas localidades, a atividade constitui uma importante fonte de renda, permitindo o aproveitamento econômico de pequenas propriedades rurais.
Conforme o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, a renda dos produtores de tabaco supera a média brasileira, contribuindo para a aquisição de bens e a movimentação de outros setores da economia, como comércio e serviços.
Para os municípios do Vale do Rio Pardo, a fumicultura continua sendo uma atividade de grande relevância econômica. Entretanto, a redução da produção gaúcha, a diminuição do número de famílias produtoras e a queda da receita bruta demonstram os desafios enfrentados pela cadeia produtiva.
Confira os 30 maiores produtores de tabaco na safra 2025/2026
| Posição | Município/UF | Produção (toneladas) |
|---|---|---|
| 1º | São João do Triunfo/PR | 25.098 |
| 2º | Canguçu/RS | 22.903 |
| 3º | Rio Azul/PR | 19.335 |
| 4º | Itaiópolis/SC | 19.015 |
| 5º | Venâncio Aires/RS | 18.741 |
| 6º | São Lourenço do Sul/RS | 17.427 |
| 7º | Canoinhas/SC | 15.198 |
| 8º | Prudentópolis/PR | 15.135 |
| 9º | Ipiranga/PR | 14.387 |
| 10º | Santa Terezinha/SC | 13.764 |
| 11º | Candelária/RS | 12.367 |
| 12º | Irati/PR | 11.883 |
| 13º | Palmeira/PR | 11.850 |
| 14º | Irineópolis/SC | 11.765 |
| 15º | Camaquã/RS | 11.349 |
| 16º | Vale do Sol/RS | 10.944 |
| 17º | Santa Cruz do Sul/RS | 10.908 |
| 18º | Imbituva/PR | 10.144 |
| 19º | Dom Feliciano/RS | 9.877 |
| 20º | Mafra/SC | 9.551 |
| 21º | São Mateus do Sul/PR | 9.288 |
| 22º | Papanduva/SC | 9.110 |
| 23º | Arroio do Tigre/RS | 8.813 |
| 24º | Ituporanga/SC | 8.597 |
| 25º | Bela Vista do Toldo/SC | 8.083 |
| 26º | Vidal Ramos/SC | 7.898 |
| 27º | Guamiranga/PR | 7.503 |
| 28º | Barros Cassal/RS | 7.086 |
| 29º | Pelotas/RS | 7.083 |
| 30º | Ivaí/PR | 7.077 |
Fonte: Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) – Safra 2025/2026. Dados regionais consolidados a partir do ranking divulgado.



